Você sabia?!

Matérias publicadas nos jornais Agora São Paulo e Folha de São Paulo, denunciam cobrança indevida por parte da Sabesp. Veja abaixo trecho da reportagem.

Sabesp cobra ar como se fosse água durante racionamento

“Quando a água é cortada, a tubulação da casa fica cheia de ar. Na hora em que o abastecimento é normalizado, o ar passa pelo medidor e é computado como água.

Isso acontece porque o hidrômetro, aparelho que registra a quantidade de água consumida, não sabe diferenciar a água do ar.

A reportagem do Agora acompanhou na madrugada de sexta-feira a chegada da água na casa do autônomo Orlovaldo Dói, 47 anos, onde há um hidrômetro novo (…).

Dói ficou sem água na quinta-feira. Para que a água voltasse à região, a Sabesp abriu os registros à 00h04. Porém, Dói só viu ar ao abrir sua torneira. Os ponteiros do hidrômetro rodaram rapidamente enquanto o ar passava.

A água chegou à 00h11. Em apenas sete minutos, o hidrômetro registrou 0,9 metro cúbico do gasto (900 litros), mas só havia passado ar pelos tubos. O último dígito do aparelho foi de dois para três.

O cálculo do gasto com o ar também foi feito com base, nos relógios existentes no hidrômetro. Segundo o engenheiro Podalyro Amaral de Souza, do Departamento de Engenharia Hidráulica da USP, o hidrômetro registra o ar quando a água é cortada.

Ele diz que o ar só não se movimenta na tubulação quando a caixa está cheia. Isso porque não há espaço para ele circular. Nesse caso, o morador se prejudica.

Quando a caixa está cheia, o ar entra por ventosas que ficam na parte mais alta da tubulação da Sabesp, Nesse caso, o ar entra com pouca força e os ponteiros do hidrômetro não giram. O problema é que a caixa não fica cheia no rodízio.

O ar entra na tubulação e, quando a água volta é empurrada com força. “Por causa disso há alterações bruscas dos números no hidrômetro”, diz o engenheiro.

Segundo Podalyro, uma hélice mais pesada faria o hidrômetro diferenciar o ar de água. “O ar é bem mais leve do que a água.

Quando o ar fosse passar pelo hidrômetro, os ponteiros não girariam”, contou. Para a Assemae (Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento), o custo do aparelho seria muito alto. “A idéia é boa, mas inviável”, afirmou Antonio Miranda Neto, presidente da Assemae.

Ele aconselha o consumidor a fechar o registro de água que fica ao lado do hidrômetro e abrir após 20 minutos da volta da água.(…)”

Ar em tubulação faz conta de água disparar

“Sua conta de água subiu, sem mais nem menos, de um mês para o outro? Você pode estar pagando por ar em vez de água.

Isso acontece quando falta água e os canos são invadidos pelo ar, fazendo o hidrômetro rodar e contabilizar esse ar como se água fosse. A interrupção no abastecimento, devido ao racionamento ou para executar serviços de manutenção na rede, permite a entrada de ar pelos canos.

Nas regiões mais altas e nas mais afastadas dos reservatórios, quando a demanda é muito alta, falta água e entra ar. O ar pode entrar também quando há bombeamento de água sob pressão nas redes.

Uma vez normalizado o fornecimento, a água empurra o ar que tomou conta da tubulação para os pontos de saída. Ao chegar ao hidrômetro, esse ar faz o ponteiro girar para a frente, registrando um falso consumo.

O problema não é novo nem se restringe a São Paulo. Porém as empresas de saneamento resistiam em admiti-lo. Hoje já o reconhecem, mas ainda não o solucionaram. Maria Lúcia Tiballi, superintendente de marketing e coordenadora de consumo domiciliar da Sabesp, admite que o ar nos canos pode alterar a conta, mas diz que é pequeno o número de consumidores afetados.

“O consumidor tem de estar atento. Saiu da média de consumo sem razão, peça à companhia para analisar. Se não for dada explicação satisfatória, deve procurar os órgãos de defesa do consumidor “, diz Sezefredo Paz, consultor técnico do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. (…) Fátima Lemos, técnica da área de serviços essenciais da Fundação Procon de São Paulo, diz que, em geral, os consumidores não sabem do problema e não reclamam do ar no cano.

Mas quando a discrepância de valores entre uma conta e outra é muito grande, depois de tentar negociar o pagamento com a Sabesp alguns procuram o Procon/SP. (…) O engenheiro Wolfran Henrich, 70, no ano passado, viu seu consumo saltar da média de 19m³ mensais para 47 m³. Durante um mês, ele anotou o vai e volta do hidrômetro.

Colocou um apito que era acionado quando o ar começava a entrar. Ele ouvia o apito e anotava a marcação do medidor. Quando a água voltava, o apito avisava novamente.

Ele tornava a anotar. Descontava as distorções provocadas pelo ar na medição do consumo. A média dava 600 litros por dia totalizando 18 m³ no mês.” Outros jornais divulgam a cobrança indevida das empresas de saneamento nas faturas de água de outros estados como: Diário Popular, O Globo, O Estado do Paraná, entre outros.